Mais de 70% dos brasileiros têm distúrbios do sono, segundo estimativas apresentadas no XXIII Congresso Paulista de Medicina do Sono. Estresse, ansiedade, depressão, uso excessivo de telas e consumo de energéticos, álcool e cigarros eletrônicos estão entre os principais fatores que comprometem o descanso.

As consequências vão além do cansaço. Dormir mal aumenta o risco de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão, declínio cognitivo e morte prematura. A apneia obstrutiva do sono, muitas vezes confundida com ronco simples, afeta pelo menos um terço dos adultos, e 80% dos casos não são diagnosticados.

Durante a noite, centenas de interrupções respiratórias reduzem a oxigenação do corpo, sobrecarregando coração e cérebro. Isso eleva os riscos de infarto, AVC, Alzheimer, acidentes de trânsito e morte súbita, além de prejudicar memória, atenção e qualidade de vida.

Especialistas defendem que a saúde do sono seja prioridade nas políticas públicas. O SUS gasta bilhões tratando doenças como hipertensão e diabetes, que muitas vezes têm origem em distúrbios do sono não diagnosticados. A proposta é investir em educação, capacitar equipes da atenção primária e ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento.

Investir em sono é reduzir custos futuros e melhorar a qualidade de vida. Com tratamentos eficazes disponíveis, o desafio é transformar conhecimento em ação. A saúde do sono precisa deixar de ser negligenciada e virar prioridade de saúde pública.