Estudantes que abrem conta em redes sociais no início da adolescência tendem a ter notas mais baixas em língua e matemática. A conclusão é de um estudo observacional publicado na revista científica Nature Human Behaviour, realizado com 5.227 alunos do norte da Itália.

A pesquisa comparou jovens que criaram perfis entre 11 e 12 anos com aqueles que só começaram a usar redes sociais a partir dos 14 anos. A diferença nas provas padronizadas de italiano e matemática, aplicadas entre 15 e 16 anos, equivale a cerca de seis meses de escolarização. Já no inglês, não houve diferença significativa.

Os autores do estudo destacam que o resultado é observacional e não comprova relação direta de causa e efeito. No entanto, sugerem que o uso excessivo e as distrações causadas pelas redes — aliados à menor supervisão dos pais — podem prejudicar o rendimento escolar.

No Brasil, dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 64% das crianças de 9 e 10 anos já têm perfil em redes sociais. Entre 11 e 12 anos, o índice sobe para 79% — justamente a faixa etária apontada como crítica pelo estudo italiano. O celular é usado várias vezes ao dia por 74% dos jovens brasileiros de 9 a 17 anos.