O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter a PEC 8/2025, que acaba com a jornada 6x1, parada durante o esforço concentrado de agosto. A proposta virou a principal moeda de troca do parlamentar contra o Palácio do Planalto, em meio a um jogo de poder que se arrasta desde a rejeição de Jorge Messias ao STF, em abril.
Nos bastidores, o governo via a PEC como a vitrine eleitoral mais forte para Lula. Por isso, tentou um atalho: apresentou o Projeto de Lei 1.838/2026 na Câmara, mas a oposição questiona sua constitucionalidade e o prazo curto inviabiliza a votação. A estratégia governista virou um impasse.
Uma reunião entre Lula e Alcolumbre está sendo articulada para a próxima semana, após um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, no último dia 4. Aliados apostam que o petista tentará convencer o senador a liberar a tramitação. Enquanto isso, Alcolumbre usa o controle da pauta para negociar emendas e nomeações, além de futuras vagas em tribunais.
Para o cientista político Valdir Pucci, a relação entre os dois chefes de Poder segue abalada. "Os dois estão medindo forças", disse. Já o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) classificou a PEC como "populista e oportunista", reforçando a rejeição da oposição. O tempo curto e a obrigação de votar a LDO de 2027 dificultam ainda mais a aprovação da proposta neste semestre.






