O cardeal Seán Patrick O'Malley, arcebispo emérito de Boston, propôs que católicos e cristãos ortodoxos orientais orem juntos pela reunificação, durante conferência ecumênica realizada entre 13 e 15 de julho em Washington. O evento, organizado pela Fundação Orientale Lumen, ocorreu na casa de retiros do Santuário Nacional São João Paulo II.

Participaram bispos católicos romanos, católicos orientais e ortodoxos orientais, além de leigos e clérigos. Antes do discurso de O'Malley, o clero de ambas as tradições rezou as vésperas diárias no rito oriental. O arcebispo Flavio Pace, do Vaticano, e o metropolita Tikhon Mollard, líder da Igreja Ortodoxa na América, também estiveram presentes.

O'Malley afirmou que a unidade virá como um presente de Cristo e que a oração conjunta é essencial, pois o Espírito Santo iluminará o caminho. Ele criticou a desunião cristã, que, segundo ele, enfraquece a capacidade de proclamar o Evangelho com coerência. Citou o exemplo de novos convertidos em Papua-Nova Guiné que se sentiram envergonhados ao descobrir as divisões entre as denominações.

O cardeal defendeu uma 'comunhão sem absorção', respeitando as diferenças. Sugeriu cartas pastorais conjuntas sobre temas como fome e aborto, além de comitês para oração, estudos e obras de misericórdia. Destacou as Igrejas Católicas Orientais como 'pontes para a reconciliação' e pediu maior respeito por sua singularidade.

O metropolita Mollard ecoou o desejo de unidade e a dor pela separação. O arcebispo Pace relatou avanços no diálogo teológico, incluindo dois subcomitês criados em 2024 para tratar de infalibilidade papal e do Credo Niceno. O'Malley acredita que as causas do cisma foram mais políticas e culturais que teológicas, e que as diferenças não são grandes.