O escritor e jornalista Paulo Briguet, radicado em Londrina, visitou São Paulo e viveu uma série de experiências que renderam uma crônica repleta de memórias e reflexões. Logo na chegada, ao desembarcar no Terminal da Barra Funda às 5h da manhã, ele levou um tombo ao escorregar na calçada molhada pela garoa. Uma moça que passava perguntou se ele estava bem; ele mostrou o terço que carregava e ambos sorriram.

Durante a estadia, Briguet peregrinou por igrejas antigas da cidade, como Santa Generosa, Imaculada Conceição e Santa Teresinha, e também revisitou lugares que marcaram sua juventude, como as ladeiras das Perdizes e do Sumaré. No Instituto Moreira Sales, ele notou que os banheiros não têm mais distinção de gênero.

Duas ruas trouxeram lembranças afetivas: a Barão de Limeira, onde lembrou do nascimento da irmã, e a Brigadeiro Galvão, onde a casa da avó não existe mais. Ele também registrou o local onde a mãe posou com ele bebê, 56 anos antes.

Em corridas de Uber, conversou com motoristas de diferentes origens: um ucraniano chamado Dmytro, que citou Leon Tolstói, e outro, Oleksandr, com quem discutiu história ucraniana. No consulado espanhol, presenciou um atendente grosseiro com um idoso e se arrependeu de não ter intervindo.

Por fim, sua tia contou a história de uma amiga que devolveu um tapete persa comprado anos antes. Briguet conclui: 'No princípio foi a queda. Mas, no fim, há a redenção.'