Dom Pedro II foi muito mais que um chefe de Estado. O imperador do Brasil passava horas livres traduzindo a 'Odisseia' do grego antigo, comparando versões em alemão e francês. O trabalho começou no Rio de Janeiro e continuou no exílio, após a Proclamação da República em 1889.
Poliglota, ele dominava mais de dez idiomas, incluindo tupi-guarani. Também traduziu trechos da 'Divina Comédia' e de 'As Mil e Uma Noites'. O gosto pelos estudos era tão forte que ele dizia: 'Se não fosse imperador, queria ser mestre-escola'.
Dom Pedro se correspondia com intelectuais como Charles Darwin e Louis Pasteur. Em 1876, nos Estados Unidos, conheceu o telefone de Alexander Graham Bell e ajudou a divulgar o invento. Em Paris, em 1877, foi à casa de Victor Hugo, republicano ferrenho, que o chamou de 'neto de Marco Aurélio'.
Deposto e impedido de voltar ao Brasil, morreu em Paris em 1891. Entre seus pertences estava a tradução inacabada da 'Odisseia' — a história de um rei que luta para retornar ao lar, assim como ele.






