O Brasil atingiu em abril de 2026 o maior nível de endividamento já registrado: 80,9% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O dado supera todos os patamares anteriores e acende um alerta sobre a saúde financeira do país.

O problema não se restringe aos consumidores. Dados da Serasa mostram que o Brasil tinha mais de 77 milhões de inadimplentes em 2025 e, em abril de 2026, chegou a 9 milhões de CNPJs negativados. Micro e pequenas empresas, com margens apertadas, sofrem com o ciclo: consumidores endividados compram menos, e empresas endividadas investem menos, atrasam fornecedores e reduzem contratações.

O custo do crédito agrava o cenário. Segundo o Banco Central, os juros do rotativo do cartão de crédito ainda superam 400% ao ano em 2026. Uma dívida pequena pode crescer mais rápido que a renda de quem tenta pagá-la. A renegociação, muitas vezes, apenas troca uma dívida impagável por outra um pouco mais administrável.

Especialistas apontam que a naturalização do endividamento é o sinal mais preocupante. O crédito deixou de ser ferramenta de crescimento para se tornar mecanismo de sobrevivência. Para romper o ciclo, o país precisa tratar o crédito como infraestrutura econômica, com concessão mais responsável, redução sustentável dos juros e educação financeira aplicada à vida real.