O ex-ministro da Saúde e deputado federal Luiz Carlos Borges da Silveira publicou uma análise sobre o sistema político brasileiro, na qual defende que a democracia no país está refém de partidos enfraquecidos. Segundo ele, a falta de identidade ideológica e de organização partidária compromete a qualidade do debate público e a participação popular.
Silveira relembra que, antes de 1964, o Brasil contava com partidos de perfil político definido e forte militância. Com o regime militar, o sistema foi reduzido ao bipartidarismo (Arena e MDB). Após a redemocratização, a criação de novos partidos ocorreu de forma desordenada, muitas vezes voltada a interesses pessoais e eleitorais, em vez da construção de instituições sólidas.
O autor critica mecanismos como o Fundo Partidário, que concentrou poder nas direções nacionais, e a ampliação das emendas parlamentares, que fortalecem o poder eleitoral de deputados em exercício e dificultam a renovação política. Ele também aponta que as comissões provisórias substituíram diretórios eleitos, reduzindo a participação dos filiados.
Para Silveira, o resultado é um afastamento de cidadãos idealistas da política e uma lógica em que muitos políticos pensam apenas nas próximas eleições, e não nas próximas gerações. Ele conclui que o Brasil merece uma democracia mais sólida e partidos mais representativos, comprometidos com o interesse público.






