A escolha do vice-presidente na chapa de oposição para 2026 não pode ser tratada como mero detalhe. Sob a ótica de Maquiavel, alianças precisam alterar a correlação de forças, não apenas embelezar a candidatura. Em 2022, a composição não agregou votos em novos segmentos nem criou dependência estratégica – foi um erro que não pode se repetir.
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, defende o nome da senadora Tereza Cristina (PP) como vice ideal. A lógica é ampliar a interlocução com o agronegócio, reduzir resistências no eleitorado feminino e fortalecer pontes com partidos de centro. Ainda que a senadora negue publicamente, o raciocínio estratégico é consistente.
Para Maquiavel, o vice ideal não é o mais leal ou simbólico, mas aquele que torna a vitória mais provável e preserva a governabilidade. A experiência de Lula reforça essa tese: em todas as suas disputas, jamais escolheu uma mulher como vice, e manteve Alckmin por utilidade política, não por afinidade.
Com o avanço do calendário eleitoral, as margens para erro diminuem. A escolha do vice deixa de ser marketing e passa a ser uma decisão sobre sobrevivência e arquitetura do poder. Alianças que entram para a história são as que estruturam a disputa desde o primeiro turno até o exercício do governo.






