A Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados divulgou estudo que contraria as projeções oficiais do governo para a dívida pública. Enquanto o governo prevê queda a partir de 2029, o levantamento aponta trajetória de alta, com o endividamento podendo superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2032 e 2035. Em maio, a dívida estava em 81,1% do PIB.

Para o consultor Paulo Bijos, autor do estudo, o próximo governo eleito terá até 15 de abril de 2027 para apresentar novas soluções estruturais no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2028. O trabalho busca definir qual seria o nível preocupante de endividamento, já que a legislação atual exige sua estabilização.

O estudo cita uma análise de 2025 com 172 países, que estabelece limites máximos de dívida: 124% do PIB para países desenvolvidos, 76% para emergentes e 57% para os de baixa renda. Para o Brasil, considerando juros, crescimento e tributação, o limite seria de 103,3% do PIB. Bijos alerta para a chamada 'fadiga fiscal', quando o país perde capacidade de gerar superávits primários suficientes para conter a dívida.

Segundo o consultor, o país já opera perto do limite de aumento de carga tributária, e os gastos públicos serão pressionados pela transição demográfica. Para estabilizar a dívida em 80% do PIB, seria necessário um ajuste fiscal de R$ 330 bilhões por ano – valor superior às despesas não obrigatórias previstas para 2026, de R$ 240 bilhões. Por causa do período eleitoral, a discussão sobre novas reformas deve ser adiada para o final do ano.