O Itamaraty enviou à Câmara dos Deputados, em 1º de julho, um documento em que afirma que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos “engloba a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”. A declaração foi feita em resposta a um pedido de informações do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).
Analistas ouvidos pela reportagem classificam a afirmação como uma construção retórica sem lastro na realidade geopolítica. O governo americano, por meio da administração de Donald Trump, chamou a declaração de “absurda”. Especialistas em relações internacionais apontam que a medida americana abre caminho para bloqueio de ativos e sanções, não para intervenção armada.
Parlamentares de oposição consideram a resposta insuficiente e articulam a convocação do ministro Mauro Vieira para prestar esclarecimentos. Caso os requerimentos sejam negados, a oposição promete protocolar um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o uso político do Itamaraty. O alvo principal nos bastidores é o assessor especial Celso Amorim, ex-chanceler.
O deputado Evair Vieira de Melo acusa o governo de adotar postura de confronto com os EUA em vez de buscar negociação. “Recebemos uma resposta sem as informações que motivaram o requerimento”, disse. A oposição também questiona se houve coordenação com a Casa Civil e o Ministério da Justiça, mas o Itamaraty limitou-se a mencionar genericamente “órgãos de segurança”.
A condução da política externa é prerrogativa do Executivo, e o chanceler Mauro Vieira já compareceu à Câmara em outras ocasiões, sempre com embates com a oposição. A atual polêmica ocorre em meio à reorientação da política externa brasileira, que, segundo críticos, abandona a neutralidade e busca mobilização política interna em ano eleitoral.






