O convidado do Mundo da Luta desta semana foi Marcello Tetel. Faixa-preta formado por Carlson Gracie, ele atuou em diversas áreas na luta: foi professor de jiu-jítsu no início da modalidade em Abu Dhabi, empresário de Murilo Bustamante na conquista do cinturão do UFC, promotor de eventos de MMA, entre outras funções, várias delas contadas no papo com Ana Hissa e Gleidson Venga. Clique no player abaixo para ouvir o programa na íntegra.
Uma das realizações mais curiosas da carreira de Marcello Tetel foi relacionada a introdução do quimono azul no jiu-jítsu, hoje tão comum nas academias. Até 1996, era permitido apenas o uso de quimonos brancos, mas ele teve uma ideia que virou essa chave.
- Eu e o Carlão Barreto, que é um irmão da vida, a gente muito cedo entendeu que queria viver do Jiu-Jitsu. E para mim, já pai naquela época, viver do Jiu-Jitsu era muito difícil pra gente, porque as pessoas que estavam mais graduadas do que nós, elas trocavam patrocínio por roupa, camisa, kimono. Não tinha premiação, e o próprio patrocínio não era um patrocínio de grana. E a gente naquela época já tinha uma empresa que dava R$200 aqui, pagava todos os campeonatos, pagava uma preparação física pra gente, fazia uns negócios assim. Então a gente já conseguia uma graninha. Aí chamei o Carlão e a gente resolveu ir para São Paulo! Foi muito engraçado: a gente saiu do Rio de Janeiro com o dinheiro da ida, fomos para São Paulo de noite, acordamos em São Paulo, a gente tinha o dinheiro da volta, o dinheiro para comer lá durante o dia e mais nada! E a gente foi num primeiro lugar, bateu na porta, mostramos o que tinha saído na revista a respeito da gente, e o cara falou: "Não, não tenho interesse". E no segundo, o cara falou assim: "Eu quero, mas tem como você voltar amanhã? Porque hoje eu tenho uma reunião, mas eu quero falar com vocês porque me interessa, eu quero estar com vocês nesse negócio aí. Vocês podem voltar amanhã?". Aí olha um pra cara do outro: como é que a gente vai fazer? "Perfeitamente, a gente pode, claro!". A gente dormiu em São Paulo, no dia seguinte a gente voltou lá e o cara fechou um patrocínio muito legal com a gente. E dali a gente voltou pro Rio animadíssimo, cheios de roupa, com contrato, com grana e tal. E aí continuamos nessa história de como tentar alguma coisa no Rio, e conseguimos no Rio patrocínio de uma marca de água mineral.
- Nós éramos faixa-marrom. E faixas-marrons na época não tinham a menor possibilidade da gente ter uma cobertura bacana. Aí o Carlão falou assim: "Tem aquele kimono que é branco e azul, era um kimono chamado White Tiger, que é um kimono de Judô que era dupla face, que era usado na Europa". E aí a gente: "Pô, vamos tentar fazer um kimono colorido". Liguei na confederação. Naquela época a coisa era completamente amadora. Quem atendeu o telefone foi um cara que era aluno na academia, o Luca Atalla. O Luca atendeu, falei: "Luca, eu queria saber a respeito de kimono, qual é a limitação que tem pro Mundial?". Ninguém imaginou que a gente fosse fazer isso. Ele falou que a regra (da medida) dos quatro dedos do kimono tá valendo, não falou a respeito de cor, que tinha que ser branco. Que era tudo o que eu queria! E a gente chegou pro nosso patrocinador de kimono e falou: "Faz o kimono que a gente vai lutar!".
O R23 preparou este resumo editorial com base nas informações públicas da fonte original, indicada ao final da matéria.






