O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu nesta segunda-feira (20) uma greve geral e por tempo indeterminado caso o governo de seu sucessor, Abelardo de la Espriella, revogue a reforma trabalhista ou a reforma agrária aprovadas em sua gestão. A declaração foi feita durante seu último discurso público como presidente, em Bogotá.

Petro afirmou que a oposição deve ser feita nas ruas, com resistência pacífica, mas contundente. Ele citou especificamente a possibilidade de revogação do decreto de trabalho por hora, que, segundo ele, acabaria com a estabilidade conquistada. “Se vão derrubar as condições trabalhistas, haverá greve geral e indefinida”, disse.

O presidente também ameaçou uma paralisação agrária nacional caso a reforma agrária seja desfeita e os 600 mil hectares destinados ao campesinato sejam retomados. A fala ocorre em meio a uma escalada de tensão entre Petro e Espriella, que venceu as eleições de junho e toma posse em 7 de agosto.

Espriella já sinalizou que pretende rever normas do governo anterior, alegando impacto negativo sobre empregos e competitividade. Ele suspendeu as reuniões de transição após Petro questionar a lisura do pleito, sem apresentar provas. A posse de Espriella está marcada para ocorrer no Congresso, em Bogotá, mas ele ameaça realizá-la em uma guarnição militar no sul do país.