Um levantamento da International Trademark Association (INTA), com dados de 2023 a 2025 em 13 setores, revela como a pirataria global se organiza em cadeias logísticas cada vez mais complexas. A China continua sendo a principal origem, com polos de alta tecnologia em Shenzhen, Guangzhou e Ningbo, mas a produção de itens menos sofisticados já ocorre perto dos mercados consumidores.
A Turquia se consolidou como ponte terrestre entre Ásia e Europa. Já os Emirados Árabes Unidos, com o porto de Jebel Ali, pulverizam produtos para o Oriente Médio e a África. Na América Latina, o Panamá é o grande entreposto, de onde tabaco e fármacos asiáticos seguem para Colômbia, Bolívia e México.
O Brasil aparece como destino expressivo de vestuário, cosméticos, óculos e joias falsificados, além de funcionar como entreposto ocasional. O país também enfrenta pressões dos EUA no âmbito da Seção 301, que monitora a proteção à propriedade intelectual. O estudo, porém, mostra que os próprios Estados Unidos são ao mesmo tempo o maior mercado consumidor e um hub de trânsito para o Canadá e as Américas.
Para os especialistas, apreensões pontuais não bastam. A saída é investir em fiscalização preditiva, com parcerias público-privadas e compartilhamento de inteligência em tempo real. O registro de marcas no INPI e o cadastro no Diretório Nacional de Combate à Falsificação são ferramentas que ajudam aduanas a identificar e interceptar mercadorias suspeitas antes que cheguem ao consumidor.






