Quando o presidente da França, Emmanuel Macron, foi a campo convencer Kylian Mbappé a ficar no Paris Saint-Germain, ficou claro que o futebol já não era só esporte. O PSG é controlado pelo fundo soberano do Catar, e a permanência do jogador foi tratada como questão de interesse nacional.
Em 2023, a ida de Cristiano Ronaldo para o Al-Nassr, da Arábia Saudita, deu um novo passo nessa estratégia. Depois dele, vieram Neymar, Benzema e outros. Ronaldo, porém, trouxe credibilidade e transformou a liga saudita em tema global. O movimento é chamado de sportswashing: governos usam o esporte para melhorar a própria imagem no exterior.
A Arábia Saudita é o exemplo mais claro. Com o Fundo de Investimento Público (PIF), assumiu clubes, comprou o Newcastle United e será sede da Copa de 2034. O objetivo é passar uma imagem de modernização, enquanto críticas sobre direitos humanos e liberdades civis continuam.
O fenômeno não é exclusivo do Oriente Médio. Nos EUA, David Beckham ajudou a internacionalizar a MLS, e Lionel Messi fez o mesmo ao chegar ao Inter Miami. Em todos os casos, o prestígio dos atletas atrai investimentos, amplia audiências e legitima mercados emergentes.
A questão central do sportswashing é: até onde vai o poder de uma celebridade esportiva na construção da imagem de um país? A geopolítica do futebol começa quando o debate deixa de ser sobre quem venceu e passa a ser sobre quem transforma prestígio em influência.






