O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens e valores do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A decisão, antes sob sigilo, tornou-se pública neste domingo.
A medida faz parte de uma investigação sobre suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares. A Polícia Federal encontrou indícios de que Cunha, mesmo sem mandato desde 2016, teria influenciado a destinação de verbas públicas com a ajuda de uma servidora da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”.
De acordo com a PF, ao menos 21 emendas, somando R$ 6,15 milhões, teriam sido indicadas por Cunha, mas formalmente registradas em nome de outros parlamentares para ocultar o real responsável. A investigação aponta que ele agia como “vetor relevante” nas decisões sobre o remanejamento desses recursos.
Na decisão, Dino afirmou haver “indícios veementes” da responsabilidade dos investigados e autorizou medidas cautelares patrimoniais para garantir eventual ressarcimento ao erário. A servidora Mariângela Fialek também é alvo das apurações e já foi citada em outro bloqueio milionário (R$ 119 milhões) do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
As investigações sugerem que Cunha teria atuado para beneficiar sua anunciada campanha a deputado federal por Minas Gerais. A reportagem tentou contato com o ex-deputado, mas não obteve retorno até o momento.






